Polícia

RIBEIRÃO DAS NEVES » Trama macabra Após descobrir que viúva havia recebido R$ 40 mil de herança, pedreiro fez a mulher refém, roubou seus cartões e limpou sua conta. Depois, acusado assassinou a vítima com facão

Andréa Silva

Publicação: 06/03/2015 04:00

Omistério envolvendo o desaparecimento e o assassinato brutal de uma dona de casa de 44 anos, no início do mês passado, no Bairro Viena, em Ribeirão das Neves, Grande BH, foi desvendando dias após o crime. E, menos de uma semana depois de esclarecer a motivação – que envolve uma herança –, a Polícia Civil prendeu o homem acusado pelo sequestro e morte de Patrícia Tomé Rodrigues de Oliveira. O suspeito é o pedreiro Vinícius dos Santos, de 25 anos, conhecido como Gigante, Grande ou Vinição. Ele matou a dona de casa com um golpe de facão no pescoço e por pouco a vítima não foi degolada.

Antes de ser morta, Patrícia foi mantida por dois dias em cárcere privado – amarrada e amordaçada –, enquanto o autor limpava sua conta bancária e gastava com seu cartão de crédito. O corpo dela foi encontrado em 3 de fevereiro, no interior de uma casa em construção, na Rua Geraldo Loffi, em Ribeirão das Neves.

Os policiais descobriram que o pedreiro conheceu a vítima enquanto ele trabalhava na construção de uma casa, ao lado do imóvel onde ela morava com a mãe, no Bairro Candelária, na Região de Venda Nova, em BH. No período, o pedreiro ficou sabendo que a dona de casa havia ficado viúva e havia recebido cerca de R$ 40 mil de herança por parte do marido. Santos então resolveu se aproximar dela e começou a arquitetar a trama macabra para roubar o dinheiro e a matar.

Após o crime, Santos fugiu para o povoado Cana Brava, no Distrito Senador Mourão, na zona rural de Diamantina (Vale do Jequitinhonha), onde a mãe dele vive. O homem foi preso nesse distrito, uma semana depois de ter assassinado a mulher. Ele tentou escapar do cerco policial, mas foi detido. Sobre o assassinato, afirmou que iria só se manifestar em juízo.

O delegado Eduardo Hilbert Martins, da Homicídios de Ribeirão das Neves, informou ontem, durante a apresentação do suspeito no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as investigações indicaram que Patrícia pretendia usar o dinheiro da herança para comprar um imóvel. E foi com o argumento de que iria mostrar uma casa para Patrícia, que Santos conseguiu atrair a vítima até a casa em construção no Bairro Viena. Lá, ele amarrou, amordaçou e ameaçou a vítima com o facão, obrigou ela a entregar os cartões de banco e crédito com as senhas.

Investigadores estão com as imagens da agência bancária no Centro de Ribeirão das Neves, onde o pedreiro fez saques e transferência para uma conta dele. O homem também comprou roupas, calçados, perfumes e celulares com o cartão de crédito da vítima, nos dois dias em que a manteve em cárcere privado.

ALERTA

Na data do desaparecimento de Patrícia, a família dela chegou a registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia de BH. Foi o proprietário do imóvel em construção que encontrou a mulher morta e avisou à Polícia Militar. A vítima estava com as mãos e pé amarrados e a boca tampada com fita isolante e um corte profundo no pescoço.. “O dono do imóvel mora numa casa ao lado da que estavam sendo edificada. Ele contou que os cachorros que tomavam conta do terreno estavam latindo muito e resolveu ir lá ver o que era. Quando entrou na obra deparou com o corpo da mulher em um dos cômodos”, contou o delegado.
O nome de Vinícius dos Santos surgiu logo no início das investigações. Testemunhas contaram ter visto o homem saindo da casa em construção na ocasião do crime e também disseram ter ouvido um grito de mulher no local. Os policiais ainda foram informados da aproximação do pedreiro com Patrícia.

Segundo o delegado Eduardo Martins, embora Santos não tenha histórico de crime na polícia, ele é considerado um indivíduo de altíssima periculosidade. O nome dele é apontado em três assassinatos na região de Diamantina. O homem está preso no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Ribeirão das Neves. Ele será indiciado por extorsão mediante sequestro e homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, recurso impossibilitando a defesa da vítima e crime por assegurar a extorsão. Se condenado, pode pegar até 42 anos de reclusão.

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