Polícia

CAPITAL » Discussão incendiária Mulher tem corpo queimado durante briga com o companheiro. Polícia investiga se ataque foi provocado pela própria vítima ou se pelo parceiro dela

Andréa Silva

Publicação: 17/09/2014 04:00

A circunstância em que uma dona de casa de 46 anos sofreu queimaduras em cerca de 60% de seu corpo está sendo investigada pela Polícia Civil. O caso ocorreu na madrugada de ontem, num lote com barracões de aluguel, na Rua Pará de Minas, Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte, onde a vítima Josilene de Souza Dutra vivia com o ajudante de pedreiro Alederson Carvalho dos Santos, de 23.


Ao ser socorrida, a mulher apresentou duas versões para o incidente. A primeira, foi para a equipe do Corpo de Bombeiros. Ela acusou Santos, com quem estava vivendo há três meses, de ter jogado álcool nela e ateado fogo durante uma briga.


A vítima contou que estava cozinhando em um fogareiro, cujas chamas eram alimentadas com álcool e que ela e o marido discutiam porque ele não aceitava que ela trabalhasse fora. Em meio ao desentendimento, ele espalhou o líquido inflamável no corpo dela, riscou um fósforo e jogou na mulher.


Já a caminho do bloco cirúrgico, a mulher mudou a história e disse a médicos e funcionários do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS) ter sido ela quem causou o incidente. A vítima sofreu queimaduras graves de 2º e 3º grau, na cabeça, rosto, pescoço, peito, barriga e pernas.


O ajudante de pedreiro acompanhou Josilene no hospital. Ele foi detido pela Polícia Militar (PM) e levado à Delegacia de Mulheres, no Barro Preto, Região Centro-Sul de BH, para prestar depoimento. O jovem negou ter espalhado álcool no corpo da mulher e riscado o fósforo. Ele afirmou amá-la e que seria incapaz de agredi-la e afirmou ter sido ela própria quem ateou fogo em seu corpo, durante a discussão. A Polícia Civil não pode ouvir a vítima que está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), respirando com ajuda de aparelhos.


GRITOS


Segundo o sargento Célio Taciano, da 9ª Companhia do 34º BPM, durante conversa com o suspeito, o mesmo afirmou que momentos antes da confusão, a mulher havia consumido bebida alcóolica e os dois acabaram brigando porque ele não gostou de vê-la conversando no portão de casa com uma vizinha que ele não gosta.


“O marido disse que, ao buscar a mulher na entrada de casa, a briga se intensificou. Ele contou que Josilene ficou irritada e começou a gritar que queria morrer e que iria se matar, porque estava se sentindo sufocada com a relação. Os vizinhos que ajudaram a apagar o fogo do corpo da vítima confirmaram ter ouvido a discussão do casal, mas eles não souberam informar quem provocou o incidente”, contou o policial.


Um dos vizinhos que ajudou apagar as chamas foi o ajudante de pedreiro Luiz Carlos Lucindro Martins, de 18. O rapaz confirmou ter visto Josilene embriagada, ter ouvido ela e o marido discutindo, viu quando a vítima foi para o portão conversar com uma mulher e também Santos indo atrás dela e a buscado. “Os dois continuaram a discussão na casa deles Até que ouvimos o grito e ela saiu com o corpo pegando fogo. Não sei como aquilo aconteceu e quem foi que causou a situação”, afirmou o jovem.


O sargento José Martins de Freitas, do Corpo de Bombeiros, contou que eles foram chamados para atender uma incêndio em uma residência e para socorrer uma pessoa que havia sofrido queimaduras. Ao chegar no endereço, a vítima estava sendo amparada pelo marido e gemendo de dor. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Femig) informou que o estado de saúde de Josilene é grave.

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