Polícia

IBIRITÉ » Sem choro Mulher que confessou ter matado e escondido o filho no sofá não derramou lágrimas ao ser ouvida pela polícia, o que levantou suspeitas contra ela. Acusada repetiu o comportamento ontem

Andréa Silva

Publicação: 30/07/2014 04:00

A jovem Marília Cristiane Gomes, de 19 anos, que confessou ter matado o filho Keven Gomes Sobral, de 2, e escondido o corpo dele em um sofá, até tentou demonstrar arrependimento, ontem, ao ser apresentada pela Polícia Civil, mas o choro não veio. E foi justamente a frieza diante da morte do filho que, anteontem, chamou a atenção dos investigadores – ela demonstrou tranquilidade e também não derramou uma lágrima sequer. Devido a esse comportamento, passou a ser tratada como suspeita, até que admitiu ter cometido o crime em sua casa em Ibirité, na Grande BH. Marília foi autuada em flagrante por ocultação de cadáver e será indiciada por homicídio, possivelmente por dolo eventual – quando a pessoa não tem a intenção de matar, mas assume o risco.


Segundo o delegado Davi Batista Gomes, os instantes de tristeza e desespero apresentados por Marília durante seu depoimento ocorreram mais pelas consequências de seu ato do que pela dor da perda da criança. A Polícia Civil irá pedir uma análise para saber se a mãe é portadora de alguma doença mental.


Marília foi presa anteontem, após confessar o crime, e apresentada ontem no Departamento de Investigação de Homicídio e Proteção à Pessoa (DIHPP). Ela afirmou estar arrependida, reconheceu que poderia ter socorrido o filho, disse que quer pagar pelo que fez, afirmou que está sofrendo e pediu perdão. A jovem também alegou não ter pedido socorro para o filho depois de agredi-lo, com medo de represália da vizinhança e de ser presa.


“Vou pagar por tudo o que fiz. Eu já sabia que iriam descobrir que fui eu quem causou a morte do Keven. Eu queria que descobrissem onde o corpo dele estava porque foi um acidente. Sei que é difícil acreditar, mas não tive a intenção de tirar a vida do meu filho”, disse a mãe.


DETALHES


Ontem, o delegado contou detalhes sobre a morte de Keven com base nos relatos da mãe. Segundo Gomes, em suas declarações, Marília contou que na quinta-feira, dia 24, cuidava dos afazeres domésticos e ouvia música enquanto o menino dormia. Assim que ele acordou, mexeu no celular dela e deixou o aparelho cair no chão.


Ao ser repreendido, Keven teria dado um tapa no rosto da mãe, que irritada, pegou ele pelos braços e o arremessou na cama. “Devido à força com que arremessou o filho na cama, ele acabou batendo a cabeça na parede. Marília disse que ele já caiu desacordado, com os lábios arroxeados e com uma secreção branca saindo de sua boca, o que a levou a um desespero”, contou o delegado.


A jovem resolveu pegar a chave que tinha da casa dos tios do menino, que moram no mesmo lote e que coincidentemente tinham viajado com parentes para um enterro no Norte de Minas. Ela levou o filho para o imóvel vizinho, pegou um lençol do casal, enrolou o menino desacordado, cortou o forro da parte de trás do sofá e escondeu o corpo. Cerca de uma hora depois, Marília mobilizou vizinhos, o marido e outros familiares na busca por Keven.


Militares foram chamados no imóvel. No dia seguinte, o Corpo de Bombeiros, por insistência da mulher, arrombaram a porta da casa dos cunhados, mas não localizaram o corpo do menino que estava escondido no sofá. O corpo foi descoberto na noite de domingo, quando os donos do imóvel voltaram de viagem e estranharam o cheiro forte no imóvel.


CULPA


“A intenção da Marília era se livrar da culpa pela morte do filho. Indiretamente, ela quis incriminar os parentes e até mesmo o marido. Mas todo o tempo dava uma versão diferente e, como ficou sem saída, resolveu confessar que foi ela quem causou a morte do Keven e por medo resolveu esconder o corpo”, contou o policial.


Na segunda-feira, antes de ouvir Marília, os investigadores que assumiram o caso estiveram no Posto Médico Legal de Betim, para onde o corpo do menino foi levado, e lá foram informados que Keven apresentava traumatismo craniano, reforçando a suspeita de crime seguida de ocultação de cadáver. A polícia, no entanto, ainda não sabe se o menino morreu antes ou depois de ter sido colocado no sofá. O crime, ocorrido no dia 24, foi cometido na casa onde a vítima vivia com a mãe o pai, o repositor de mercadorias Cláudio Ribeiro Sobral, de 31. O homem estava no trabalho quando o fato ocorreu. A Polícia Civil praticamente descartou o envolvimento dele na morte e na ocultação do corpo do filho.


O delegado Davi Batista Gomes informou que o inquérito deve ser concluído até dez dias. Ele pediu à Justiça para transformar a prisão em flagrante da mãe para preventiva. A mulher está detida no Ceresp Centro-Sul, na capital.

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